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Extensionistas da Emater-DF participam de oficina sobre cultivo de trigo no Cerrado

Na manhã da última quarta-feira (19), extensionistas da Emater-DF se reuniram com pesquisadores da Embrapa Cerrados para uma oficina de atualização sobre a tecnologia do cultivo de trigo no Cerrado. O encontro, realizado na Embrapa Cerrados (Planaltina-DF), teve como foco o aprimoramento do manejo da cultura, visando fortalecer o trabalho conjunto entre técnicos e produtores da região.

“Estamos buscando cada vez mais aperfeiçoar o manejo da cultura no Cerrado e isso se consegue trabalhando junto com os técnicos e com os produtores”, destacou o pesquisador Júlio Albrecht, que recepcionou os participantes e ressaltou o papel essencial da parceria da pesquisa com os técnicos e produtores locais. “Chegamos a produtividades recordes trabalhando lado a lado com os agricultores e os técnicos da região”, enfatizou. 

Albrecht compartilhou um pouco da trajetória da cultura do trigo no Cerrado ao longo das últimas quatro décadas. “No começo, enfrentamos muita dificuldade, mas sempre acreditamos no potencial do trigo dentro do sistema de produção do Cerrado. Hoje, vemos o crescimento e o arrojo dessa cultura tanto na safrinha quanto em áreas irrigadas”, relatou.

O supervisor regional oeste da Emater-DF, Álvaro Marinho, destacou a importância da oficina como um instrumento de qualificação contínua. “Estamos aqui em busca de atualização para que nossa assistência aos produtores seja cada vez mais efetiva”, afirmou. Ele ressaltou ainda o empenho da Emater-DF em incentivar o cultivo de trigo entre pequenos agricultores. “O trigo tem se comportado muito bem na nossa região, o que abre inúmeras possibilidades para os pequenos produtores”, completou.

Programação técnica

As informações técnicas sobre a cultura do trigo foram repassadas pelos pesquisadores Jorge Chagas e Angelo Sussel. Chagas iniciou sua apresentação com um panorama da cultura do trigo no Brasil, abordando sua importância estratégica e crescente viabilidade em regiões tropicais. Em seguida, destacou os benefícios do trigo para o sistema produtivo, especialmente no Cerrado, e explicou os dois principais sistemas de cultivo utilizados na região: o sequeiro e o irrigado.

O pesquisador detalhou aspectos fundamentais do manejo, enfatizando o planejamento adequado do plantio e os principais desafios enfrentados pelos produtores em condições tropicais. Entre as práticas de manejo, Chagas abordou o escalonamento da semeadura, indicando as melhores épocas e tipos para cada sistema. Também falou sobre a correção e adubação do solo, o uso de reguladores de crescimento, o controle de plantas daninhas e o manejo da irrigação.

Outro ponto de destaque foi a apresentação das cultivares desenvolvidas pela Embrapa especialmente para o Cerrado. Para o cultivo em sequeiro, a recomendação é a cultivar BRS 404 (com excelente tolerância ao calor e a seca). Já para o sistema irrigado, as opções são a BRS 254 (trigo melhorador com alta estabilidade e força de glúten), a BRS 394 (com qualidade industrial e maior tolerância ao acamamento) e a BRS 264, que se destacou em 2024 com produtividades superiores a 135 sacas por hectare em diversas lavouras, graças ao seu elevado potencial produtivo e precocidade.

Na sequência, o pesquisador Angelo Sussel abordou o manejo fitossanitário da cultura, chamando a atenção para os principais insetos-praga que afetam o trigo, como lagartas, pulgões, percevejos e brocas. Com relação às doenças, ele focou na brusone, principal ameaça à cultura, causada pelo fungo Pyricularia grisea. Também comentou sobre doenças menos frequentes na região, como giberela, ferrugem da folha e podridão radicular.

Sussel enfatizou, ainda, a importância do manejo integrado de doenças, destacando que ele começa antes mesmo da semeadura. “O manejo integrado leva em consideração a rotação de culturas, o uso de cultivares resistentes, sementes sadias e tratadas, época e densidade de semeadura, dentre outros fatores. São decisões que o produtor toma antes de semear”, afirmou. Por fim, completou com orientações sobre o monitoramento fitossanitário, o uso adequado da irrigação e estratégias de manejo químico.

Juliana Caldas (MTb 4861/DF)
Embrapa Cerrados