O escritor Abdulrazak Gurnah, da Tanzânia, recebeu o Prêmio Nobel de Literatura de 2021 nesta quinta-feira (07/10). Crítico feroz dos impactos do colonialismo em regiões que foram invadidas e devastadas, o autor de 10 romances tem hoje 73 anos. Seus livros mais famosos são “Paradise” e “Desertion”. Ainda não há nada em português do laureado desta edição.
Léo Bento, professor de Social Studies na Camino School, ressalta que o Prêmio Nobel adotou um olhar mais diverso há cerca de 10 anos. “Houve uma mudança de ângulo. Muitas escolas têm adotado autores sul-globais, que estejam fora do eixo europeu, de modo a trazer mais pluralidade e diversidade para a sala de aula. Com estudantes do Ensino Fundamental, essa preocupação é ainda mais relevante, considerando que temos aí um público com pensamento crítico ainda em formação”, afirma.
Refúgio e migração em evidência
Não é de hoje que as grandes premiações e agendas públicas têm considerado temáticas mais inclusivas, entre elas a migração, a fim de tornar os debates ainda mais orientados pela diversidade. Abdulrazak Gurnah é nascido na ilha de Zanzibar, atual Tanzânia, tendo deixado seu país aos 18 anos em direção à Inglaterra, no final da década de 1960. Nessa época, sua terra natal passava por uma turbulência sociopolítica que levou à perseguição de uma minoria árabe, da qual Gurnah pertence.
Léo Bento: “Um autor ex-refugiado que debate a decolonialidade sendo laureado é de grande importância, pois abre ainda mais o olhar da literatura para além do eixo eurocêntrico e norte-americano”
“Essa premiação é muito bem-vinda, uma vez que vivemos em um mundo diverso. Um autor ex-refugiado que debate a decolonialidade sendo laureado é de grande importância, pois abre ainda mais o olhar da literatura para além do eixo eurocêntrico e norte-americano”, acrescenta Bento. O professor pontua que o autor “vence o prêmio muito tempo depois de outro africano ter sido condecorado”. Antes de Gurnah, foi Wole Soyinka (Nigéria) a ser premiado, em 1986.
Aprendizagem ativa favorece empatia e outras competências socioemocionais
Desde sua fundação em 2020, a Camino School, escola referência localizada em São Paulo, pertencente à startup Camino Education, prioriza um currículo com autores das mais variadas etnias e nacionalidades. Não é raro ver professores fazendo referência a textos de Ailton Krenak ou outros pensadores contemporâneos. A escola é adepta da metodologia da aprendizagem ativa, que posiciona o estudante como protagonista por meio de projetos intitulados Expedições. Em sala de aula (presencial ou online), esse modelo possibilidade que esse público desenvolva competências socioemocionais, entre elas, a empatia.
“Com essa premiação, professores poderão identificar mais possibilidades de ampliar os trabalhos que desenvolvemos em relação à diversidade em sala de aula. É bom para que outras pessoas possam conhecer suas obras e para que possamos trazer seus pensamentos para mais indivíduos”, ressalta Leo Bento.
Camino Education – Como um ecossistema educacional que integra educadores, gestores, pais e estudantes, a Camino Education tem a missão de enriquecer a Aprendizagem para milhões de alunos, com a aspiração de transformar aulas tradicionais em experiências de aprendizagem inesquecíveis, de alta qualidade educacional e engajamento significativo dos educadores e dos alunos, por meio da Aprendizagem Ativa. A Cloe, plataforma digital completa de Aprendizagem Ativa desenvolvida pela Camino Education, a Camino School, escola de referência em São Paulo, e o Centro Camino de Aprendizagem Ativa, centro de formação de educadores, compõem esse ecossistema. A Camino Education é a primeira Edtech brasileira a compor a comunidade Global Innovators do World Economic Forum e está entre as 100 Edtechs mais inovadores da América Latina, segundo o ranking 2020 LATAM 100 Edtechs anual.