O CEF 19 de Taguatinga aprovou a direção compartilhada com 85% dos votos favoráveis, e vivencia a militarização desde 26 de agosto. Escolhida por uma nota baixa no Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb), a primeira escola de Taguatinga a ser militarizada já percebe pontos positivos da gestão compartilhada com o Corpo de Bombeiros.
Apenas com 2 meses de implementação, a vice-diretora Cristina da Silva Hosken diz que, alunos, professores e diretores do Centro de Ensino se sentem mais seguros com a presença dos militares e do batalhão escolar. Sabrina Ferreira, aluna do 6º ano, confessou sentir medo no início, “hoje sinto que tenho mais segurança e proteção”. Os militares ficam pelos corredores da escola e ajudam na ordenação dos alunos na hora do intervalo. “Dá medo, alguns têm cara de mau, mas eles são legais e sempre conversam com a gente”, disse Sabrina.
O colégio, no ano de 2017, foi mapeado como uma das 30 escolas mais violentas do Distrito Federal e foi convidado para tomar conhecimento do programa de implementação do regime militar em 2018. A diretora descreve períodos em que passaram por alto índice de violência, dentro e nas mediações do Centro de Ensino Fundamental. “Não efetivamente brigas, mas tivemos alunos que faziam o uso de álcool e drogas dentro da escola, grande quantidade de furtos na parte externa, alguns alunos fora da faixa etária intimidavam os mais novos para pegar dinheiro”.
A votação, apenas com caráter consultivo, ocorreu no dia 10 de agosto e teve participação dos responsáveis, alunos, professores e coordenadores. A escola, possui cerca de 325 alunos por turno e teve a maior porcentagem de votos favoráveis ao regime compartilhado (85%). “A comunidade acompanhou a contagem dos votos do início ao fim e quando tivemos o resultado, alguns pais saíram buzinando no carro de tanta felicidade”, disse a diretora.
Militares
A direção recebeu uma equipe de 8 militares do Corpo de Bombeiros, sendo 2, comandante e subcomandante disciplinar e 6 monitores/instrutores. A Secretaria de Educação continua responsável pela parte pedagógica, enquanto os militares ficam com a gestão de aspectos disciplinares, administrativos e das atividades de contraturno. Entram nas salas de aula apenas para dar instrução militar, ensinar os hinos e os símbolos nacionais.
A diretora já percebe mudança, ainda que o projeto esteja no começo, agora tem mais apoio para ministrar os intervalos, entrada e saída dos alunos e alega ter mais tempo para cuidar das questões pedagógicas, elaborar e organizar projetos. “É complicado dizer que já tivemos um ganho significativo, vamos perceber isso a partir do próximo ano, quando nós iniciarmos o ano com o projeto estabelecido, cronograma e atividades bem distribuídas”.
Reforma na escola
As escolas com gestão compartilhada receberam proposta para terem uma verba extra para melhorias de sua infraestrutura. O CEF 19 de Taguatinga está a mais de 40 anos sem reforma e sofre com falta de áreas cobertas e mesas para o refeitório, a escola ainda não recebeu as reformas prometidas.
A professora de educação física, Ana Paula, foi uma das que se posicionaram contra a militarização. “A violência é no caminho para a escola, não adianta militarizar a nossa e deixar a do lado abandonada. Isso não é projeto de educação, é projeto de segurança pública. Podemos investir no ensino de outras formas”, alega Ana Paula, que trabalha há 3 anos no CEF 19. A educadora relatou que os alunos estão mais organizados e disciplinados e melhoraram na questão de hierarquia e respeito.
Ao procurar o Sindicato dos Professores (SINPRO) sobre o assunto, o mesmo se posiciona contra a militarização das escolas por se tratar de um modelo contraditório com a gestão democrática.
Por Milena Carvalho
Supervisionado por Luiz Cláudio